quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

TEMA III - OS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PARA A EUROPA DO CONHECIMENTO

A Aprendizagem ao Longo da Vida



" O conceito de educação ao longo da vida deve ser encarado como uma construção contínua da pessoa humana, dos seus saberes, aptidões e da sua capacidade de discernir e agir. A escola desempenha um papel fundamental em todo o processo de formação dos cidadãos aptos para a sociedade da informação e deverá ser um dos principais focos de intervenção para garantir um caminho seguro e sólido para o futuro."(M.S.I. , 1997)



A Aprendizagem ao Longo da Vida é primordial na era do conhecimento em que vivemos actualmente. Com este conceito pretende-se que a escola capacite os seus alunos de forma a fornecer-lhes as ferramentas necessárias para que aprendam em qualquer fase da sua vida tendo como objectivo o sucesso da sua integração na sociedade actual. Sob o ponto de vista da Europa, destaca-se a necessidade desta se tornar mais competitiva, debatendo-se formas e meios de investimentos na área da educação e formação tendo em vista a mobilidade da sua população. Neste âmbito surgiu o programa integrado Life Long Learning e o sucesso que alguns dos seus "sub programas" alcançaram, destacando-se o Comenius com uma abrangencia da instrução primária até ao ensino secundário, o Erasmus ao nível universitário, o Leonardo da Vinci destinado à formação profissional e Grundtvig que confere uma 2ª chance oferecendo novas metodologias de ensino. Estes programas promovem o multiculturalismo, o intercâmbio e uma aprendizagem partilhada. Acredita-se que os jovens que seguem o seu caminho na ALV deverão ser dotados das seguintes competências básicas:


Comunicação em língua materna;


Comunicação em Língua estrangeira;


Competências matemáticas e competências básicas em ciências e tecnologia;


Competências digitais;




Aprender a aprender;


Competências sociais e cívicas;

                                                                           
Espírito de iniciativa e empresarial;

Sensibilidade e expressão culturais.

Para além desta educação de carácter formal, a ALV comporta também uma visão de aprendizagem não formal e informal, considerando que o processo de aquisição de conhecimentos pressupõe continuidade e é ininterrupto.


Os estudos defendem de que a ALV desencadeia-se por várias motivações pessoais como encontrar a solução para diversos problemas que se prendem com as condições económicas do individuo ou pela simples vontade de aprender mais como defende o autor:
"A aprendizagem ao longo da vida tornou-se uma necessidade de todos os cidadãos. Precisamos de desenvolver as nossas aptidões e competências ao longo das nossas vidas, não apenas para a nossa realização pessoal e a nossa capacidade de participar activamente na sociedade em que vivemos, mas também também para sermos capazes de ter êxito num mundo laboral em constante mudança"(Ján Figel).




segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

TEMA II - MODELOS E TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS NOS SISTEMAS EDUCATIVOS


SIR KEN ROBINSON - Análise do vídeo

Sir Ken Robinson, famoso especialista em educação, referencia alguns aspectos como desencadeadores da desmotivação nos alunos.



Para além dos sistemas educativos, estarem "ultrapassados"pois conceberam-se numa conjectura económica e cultural bem distintas da actual, provocam nas nossas crianças uma frustração face ao percurso académico. Como refere o autor "o grande problema é que continua a alienar-se milhões de crianças." Continua a fazer-se o mesmo que se fazia no passado e o problema é que estas crianças encontram-se desmotivadas, aborrecidas pois não avistam qualquer razão para ir à escola.
A verdadeira causa de todo este cenário, é a permanência do sistema educativo que foi projectado para uma era diferente, a era da revolução industrial em que tudo era "formatado" de acordo com a vida nas fábricas.
Este modelo educativo causa um caos na vida das crianças, caos esse que se reflecte na escola, nas salas de aula em que professores não compreendem o porquê de muitos comportamentos que apelidam de "desajustados" . De facto, nos últimos anos temos assistido a uma significativa quantidade de crianças com diagnóstico de TDAH. Quais as verdadeiras causas deste transtorno?

Constata-se que muitos destes alunos lidam frequentemente com as tecnologias fora da escola, essencialmente jogos.Por sua vez, as crianças encontram escassos estímulos na sala de aula, os estímulos com que as crianças do século XXI se identificam são praticamente inexistentes no contexto da maioria das instituições actuais. Lamentavelmente o dom criativo das "nossas" crianças está a ser desperdiçado pelo modelo educativo a que estão sujeitas.

Na ótica de Robinson (2008) criatividade é "o processo de ter ideias originais que têm valor"

O autor estabelece um paralelismo, entre a situação de "aborrecimento" face à escola e o crescimento do TDAH. Estas crianças não devem ser anestesiadas (com medicações) mas sim, despertadas. Despertadas para o melhor que sabem fazer , tirar partido da sua criatividade e não oprimi-las e subjugá-las a um sistema educativo que se considera ultrapassado. As crianças deste século estão a viver um período de estímulo tão intenso como nunca houve na história. Há que reestruturar os ambientes de aprendizagem e não criar uma divisão entre a pessoa e o seu ambiente natural de aprendizagem, como refere o autor "é essencial para a cultura das nossas instituições os seus habitats e os habitats que elas ocupam..." 

Porquê a mudança de paradigma?

A problemática destacada na sequência fílmica tem a sua origem na formação dos sistemas educativos da era industrial concebidos para uma época cuja situação económica se apresentava totalmente díspar da actual. A criança era vista como uma mercadoria e toda a educação funcionava de uma forma mecânica. Passado tantos anos, e tantas mutações sociais inerentes ao desenvolvimento e à evolução da sociedade, a educação permanece suportada pelos mesmos modelos. O modo como se aprende já não pode ser o mesmo, as crianças necessitam de desenvolver-se de forma colaborativa, sob princípios de interajuda, e não sob espécies de disjunções que se criam entre a pessoa e o seu ambiente.

O sua capacidade de pensamento divergente deve ser tida em conta, a capacidade de encontrar múltiplas soluções para uma pergunta ou problema, pensamento este que é bloqueado à partida pelos modelos educativos que actualmente são postos em prática.

Considerando que o paradigma é um conjunto de normas que orientam um grupo e estabelecem limites, determinando como um individuo ou grupo de indivíduos se deve reger, parece necessário que estas mesmas normas utilizadas até então deverão reestruturar-se. Quando um determinado paradigma reflecte mau funcionamento, manifestando problemas de difícil solução, pode ocorrer uma crise (o tal caos referido anteriormente). É nesse momento que surge a necessidade de mudança do antigo paradigma como defende Sir Ken Robinson. Os novos paradigmas sustentados na valorização de mentes criativas e pensamentos divergentes, comprovam a adequação à sociedade actual, contrariamente aos paradigmas vigentes, delineados no âmbito de uma conjectura económica e cultura ultrapassada.