domingo, 24 de janeiro de 2016

Tema IV - A Regulação e as Linhas Mestras de Avaliação dos Sistemas Educativos







A regulação dos Sistemas Educativos

A regulação visa a melhoria da qualidade dos sistemas educativos, não só para procurar o desenvolvimento das escolas e professores como para fazer "frente" à crescente competitividade e busca de um melhor sistema que se pretende de referência.O processo de regulação é complexo e pressupõe um aperfeiçoamento contínuo que se deve enquadrar no contexto do país a que se aplica.

Para Barroso (2005), a regulação dos sistemas educativos é executada em três diferentes níveis: - nível nacional - centrado na regulação de carácter institucional;- nível intermédio - incide sobre as instâncias de regulação que operam em territórios intermédios do Sistema Educativo (entre o nacional e o local);- nível local - referente ao estudo dos modos de regulação interna das escolas.

Assim, a regulação é entendida como uma chave essencial para a manutenção do equilíbrio de um qualquer sistema, pois é ela que analisa e trata as informações que necessitam de ser ajustadas através dos órgãos de execução. No entanto, Barroso (2005) considera que a designação "multi - regulação" tem maior sentido pois no Sistema Educativo a regulação "não é um processo único, automático e previsível, mas sim, um processo compósito que resulta mais da regulação das regulações, do que do controle directo da aplicação de uma regra sobre acção dos regulados"

Em todos os países existem Sistemas Educativos que estão estruturados diferentemente. A qualidade que lhes é atribuída é variada e essa mesma qualidade prende-se com inúmeros factores que definem a realidade de cada país. Cada Sistema Educativo regula-se através das políticas e legislação.
No caso do sistema educativo português, este é regulado pelo Estado através do Ministério da Educação e Ciência de acordo com a Lei de Bases.  
                         

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

TEMA III - OS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PARA A EUROPA DO CONHECIMENTO

A Aprendizagem ao Longo da Vida



" O conceito de educação ao longo da vida deve ser encarado como uma construção contínua da pessoa humana, dos seus saberes, aptidões e da sua capacidade de discernir e agir. A escola desempenha um papel fundamental em todo o processo de formação dos cidadãos aptos para a sociedade da informação e deverá ser um dos principais focos de intervenção para garantir um caminho seguro e sólido para o futuro."(M.S.I. , 1997)



A Aprendizagem ao Longo da Vida é primordial na era do conhecimento em que vivemos actualmente. Com este conceito pretende-se que a escola capacite os seus alunos de forma a fornecer-lhes as ferramentas necessárias para que aprendam em qualquer fase da sua vida tendo como objectivo o sucesso da sua integração na sociedade actual. Sob o ponto de vista da Europa, destaca-se a necessidade desta se tornar mais competitiva, debatendo-se formas e meios de investimentos na área da educação e formação tendo em vista a mobilidade da sua população. Neste âmbito surgiu o programa integrado Life Long Learning e o sucesso que alguns dos seus "sub programas" alcançaram, destacando-se o Comenius com uma abrangencia da instrução primária até ao ensino secundário, o Erasmus ao nível universitário, o Leonardo da Vinci destinado à formação profissional e Grundtvig que confere uma 2ª chance oferecendo novas metodologias de ensino. Estes programas promovem o multiculturalismo, o intercâmbio e uma aprendizagem partilhada. Acredita-se que os jovens que seguem o seu caminho na ALV deverão ser dotados das seguintes competências básicas:


Comunicação em língua materna;


Comunicação em Língua estrangeira;


Competências matemáticas e competências básicas em ciências e tecnologia;


Competências digitais;




Aprender a aprender;


Competências sociais e cívicas;

                                                                           
Espírito de iniciativa e empresarial;

Sensibilidade e expressão culturais.

Para além desta educação de carácter formal, a ALV comporta também uma visão de aprendizagem não formal e informal, considerando que o processo de aquisição de conhecimentos pressupõe continuidade e é ininterrupto.


Os estudos defendem de que a ALV desencadeia-se por várias motivações pessoais como encontrar a solução para diversos problemas que se prendem com as condições económicas do individuo ou pela simples vontade de aprender mais como defende o autor:
"A aprendizagem ao longo da vida tornou-se uma necessidade de todos os cidadãos. Precisamos de desenvolver as nossas aptidões e competências ao longo das nossas vidas, não apenas para a nossa realização pessoal e a nossa capacidade de participar activamente na sociedade em que vivemos, mas também também para sermos capazes de ter êxito num mundo laboral em constante mudança"(Ján Figel).




segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

TEMA II - MODELOS E TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS NOS SISTEMAS EDUCATIVOS


SIR KEN ROBINSON - Análise do vídeo

Sir Ken Robinson, famoso especialista em educação, referencia alguns aspectos como desencadeadores da desmotivação nos alunos.



Para além dos sistemas educativos, estarem "ultrapassados"pois conceberam-se numa conjectura económica e cultural bem distintas da actual, provocam nas nossas crianças uma frustração face ao percurso académico. Como refere o autor "o grande problema é que continua a alienar-se milhões de crianças." Continua a fazer-se o mesmo que se fazia no passado e o problema é que estas crianças encontram-se desmotivadas, aborrecidas pois não avistam qualquer razão para ir à escola.
A verdadeira causa de todo este cenário, é a permanência do sistema educativo que foi projectado para uma era diferente, a era da revolução industrial em que tudo era "formatado" de acordo com a vida nas fábricas.
Este modelo educativo causa um caos na vida das crianças, caos esse que se reflecte na escola, nas salas de aula em que professores não compreendem o porquê de muitos comportamentos que apelidam de "desajustados" . De facto, nos últimos anos temos assistido a uma significativa quantidade de crianças com diagnóstico de TDAH. Quais as verdadeiras causas deste transtorno?

Constata-se que muitos destes alunos lidam frequentemente com as tecnologias fora da escola, essencialmente jogos.Por sua vez, as crianças encontram escassos estímulos na sala de aula, os estímulos com que as crianças do século XXI se identificam são praticamente inexistentes no contexto da maioria das instituições actuais. Lamentavelmente o dom criativo das "nossas" crianças está a ser desperdiçado pelo modelo educativo a que estão sujeitas.

Na ótica de Robinson (2008) criatividade é "o processo de ter ideias originais que têm valor"

O autor estabelece um paralelismo, entre a situação de "aborrecimento" face à escola e o crescimento do TDAH. Estas crianças não devem ser anestesiadas (com medicações) mas sim, despertadas. Despertadas para o melhor que sabem fazer , tirar partido da sua criatividade e não oprimi-las e subjugá-las a um sistema educativo que se considera ultrapassado. As crianças deste século estão a viver um período de estímulo tão intenso como nunca houve na história. Há que reestruturar os ambientes de aprendizagem e não criar uma divisão entre a pessoa e o seu ambiente natural de aprendizagem, como refere o autor "é essencial para a cultura das nossas instituições os seus habitats e os habitats que elas ocupam..." 

Porquê a mudança de paradigma?

A problemática destacada na sequência fílmica tem a sua origem na formação dos sistemas educativos da era industrial concebidos para uma época cuja situação económica se apresentava totalmente díspar da actual. A criança era vista como uma mercadoria e toda a educação funcionava de uma forma mecânica. Passado tantos anos, e tantas mutações sociais inerentes ao desenvolvimento e à evolução da sociedade, a educação permanece suportada pelos mesmos modelos. O modo como se aprende já não pode ser o mesmo, as crianças necessitam de desenvolver-se de forma colaborativa, sob princípios de interajuda, e não sob espécies de disjunções que se criam entre a pessoa e o seu ambiente.

O sua capacidade de pensamento divergente deve ser tida em conta, a capacidade de encontrar múltiplas soluções para uma pergunta ou problema, pensamento este que é bloqueado à partida pelos modelos educativos que actualmente são postos em prática.

Considerando que o paradigma é um conjunto de normas que orientam um grupo e estabelecem limites, determinando como um individuo ou grupo de indivíduos se deve reger, parece necessário que estas mesmas normas utilizadas até então deverão reestruturar-se. Quando um determinado paradigma reflecte mau funcionamento, manifestando problemas de difícil solução, pode ocorrer uma crise (o tal caos referido anteriormente). É nesse momento que surge a necessidade de mudança do antigo paradigma como defende Sir Ken Robinson. Os novos paradigmas sustentados na valorização de mentes criativas e pensamentos divergentes, comprovam a adequação à sociedade actual, contrariamente aos paradigmas vigentes, delineados no âmbito de uma conjectura económica e cultura ultrapassada. 



sábado, 21 de novembro de 2015

TEMA I - MUTAÇÕES SOCIAIS E SISTEMAS EDUCATIVOS

A EDUCAÇÃO ABERTA COMO CAMINHO PARA A MUDANÇA


A filosofia da Educação Aberta, é um conceito relativamente recente (1970) e caracteriza-se por um conjunto de práticas que dotam o aluno de uma liberdade a vários níveis:
  • a liberdade de decidir onde estudar;
  • a liberdade de aprender de acordo com o seu estilo de vida;
  • o controlo sobre os objectivos, os conteúdos,as estratégias, as metodologias, o espaço, o tempo e o ritmo da sua própria aprendizagem.

Estas características não se verificam no ensino tradicional. O ambiente virtual de aprendizagem e a Educação a Distância são modelos de ensino que já se enquadram parcialmente neste conceito de educação.



A EDUCAÇÃO ABERTA E OS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO (DELORS, 1996)


APRENDER A CONHECER/ APRENDER A APRENDER - O aluno aprende a gerir o seu tempo, aprende a ser activo contrariamente à passividade que se encontram em muitas salas de aula onde a sua presença é visível e suficiente;

APRENDER A FAZER - O aluno aprende tudo o que lê e aprende trocando ideias com os colegas da classe virtual, exercitando com regularidade "o fazer". Sendo os recursos intermináveis, é o espaço do fórum que o ajuda a articular os conhecimentos e a processar os seus próprios meios cognitivos e afectivos;

APRENDER A VIVER JUNTOS - o aluno, nos fóruns, nas actividades em grupos restritos ou alargados e com os comentários que vai colocando relativamente aos trabalhos dos colegas, é incentivado quanto ao processo de feedback (no dar e receber);

APRENDER A SER - O aluno reconhece de novo a interdepêndencia entre ele e os seus colegas e por inerência, a necessidadede ser autêntico, no sentido de respeitar a sua individualidade.




segunda-feira, 16 de novembro de 2015

TEMA I - MUTAÇÕES SOCIAIS E SISTEMAS EDUCATIVOS

A IMPORTÂNCIA DAS TECNOLOGIAS NOS SISTEMAS EDUCATIVOS ACTUAIS

As diversas interacções que decorrem na aprendizagem de um individuo, conduziram a uma necessidade de aplicar regras comuns nos sistemas educativos, sem deixar de respeitar a individualidade de cada aluno.

O constante avanço tecnológico conduz à necessidade de adaptação ao contexto e à formação contínua dos professores, tendo desta forma, os sistemas educativos de se actualizarem, adaptarem-se e acompanharem este mesmo avanço. Neste contexto, os sistemas educativos deverão ser flexíveis e a comunidade escolar deverá incluir no seu quotidiano as novas tecnologias. 

Não basta “a simples aquisição da tecnologia, na sua dimensão física, representada pela aquisição de equipamentos, novas tecnologias e até mesmo com a contratação de equipas especializadas para esta finalidade” Barbosa Moura & Barbosa (2004), os sistemas educativos também terão de ter em conta “privilegiar mais a imaginação, a criatividade, a comunicação, o trabalho em equipa, entre outros aspectos” (Ramos, 2007). 

Em suma, os sistemas educativos têm de se adaptar aos ritmos modernos para conseguir preparar os seus alunos para se incorporarem na sociedade. Actualmente, eles não se concebem, separados da tecnologia, sob pena da escola tornar-se obsoleta.


"É preciso que os professores se abram às novas tecnologias, que não tenham medo delas e as introduzam plenamente nas suas práticas pedagógicas, para que não haja um hiato, como se verifica muitas vezes, entre uma escola analógica, do século XX, e os alunos do século XXI" 


Roberto Carneiro

domingo, 15 de novembro de 2015

sábado, 14 de novembro de 2015

TEMA I - MUTAÇÕES SOCIAIS E SISTEMAS EDUCATIVOS

TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS NAS SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS E O MODO COMO INTERPELAM OS SISTEMAS EDUCATIVOS


Os Sistemas Educativos actuais não estão a preparar o indivíduo como um todo, numa perspectiva integral.
A Educação proibida é encarada como aquela que vai numa direcção oposta, contra regras e leis instituídas que revestem o sistema educativo.
Esta educação passaria a formar mais cidadãos críticos, pensantes e pro activos  contrariamente ao rumo dos padrões ditos actuais impostos na escola. No entanto, esta não admite outras formas de conhecer diferentes, encarando muitas vezes essas posturas como ousadias do aluno ou até afrontas. De facto, esta só admite um único conhecimento e transmite-o à criança, partindo do pressuposto que é o único que ela deverá reproduzir(Fig. 1). O aluno é um mero sujeito passivo e controlado pelos moldes do Sistema Educativo.
Figura 1 - Escola Tradicional

Para alterar este cenário, é necessário flexibilidade por parte dos Sistemas Educativos, no sentido de se ajustarem às exigências da sociedade actual.
O professor do século XXI deve ajustar-se aos paradigmas da sociedade digital.